Estruturas Clínicas
- Como é feito o diagnóstico estrutural na clínica psicanalítica?
O diagnóstico na clínica psicanalítica é feito através, principalmente, da escuta do psicanalista. O que é dito, a maneira, as associações livres feitas pelo paciente e sua relação com o analista são fatores que conduzirão ao diagnóstico. Ao falar o analisando demonstra suas defesas, desejos, fantasias, sintomas e traços estruturais. Ao escutar o analista observa as causalidades psíquicas, os efeitos do inconsciente possibilitando assim estabelecer um diagnóstico e dirigir o tratamento.
- Como distinguir, do ponto de vista estrutural, o que é neurose, perversão e psicose?
O perverso não deseja o desejo do outro. Ele está marginal, fora da metáfora paterna, desafia o pai, pois quer seu lugar. Ele é a lei. Ele reconhece, porém não aceita a castração, ele obtusa a realidade, cria o fetiche.
O neurótico está preso na metáfora paterna. Ele reconhece e substitui a castração, ocorre o recalque, cria a fantasia.
O psicótico deve ser identificado se está dentro ou fora da crise. Ele não faz laços, o mundo é ele. Ele rompe com a realidade ao ser castrado, fica fora do mundo, rompe, alucina.
- Construa uma explicação sobre a formação do sintoma na neurose (recalque, deslocamento, retorno do recalcado, angústia e formação do sintoma como uma defesa). Respalde a sua explicação usando os casos clínicos estudados – José de X, Dama da Lagartixa, Cavaleiro da Indecisão, Caso de Automutilação. Lembrem-se, também, da analogia criada por Freud sobre “o indivíduo que queria entrar na festa e fantasiou-se de garçon”.
No caso do cavaleiro da indecisão a fobia de errar (fato ocorrido, realidade) é relacionada com a sedução passiva aos 6 anos (inconsciente, “imaginação”), está é a “verdade (sexual)”. Este relacionamento também se dá na relação entre a vida no trabalho (medo de errar, ser castigado) com o ser atacado e atacar alguém sexualmente (fantasia sexual e agressiva, ambivalência, atacar e ser atacado pelo pai). O trabalho do analista é sobre o inconsciente (sedução passiva aos 6 anos e ser atacado), não sobre o sintomas (fobia de errar, vida no trabalho).
No caso da dama da lagartixa a fobia da lagartixa (fato ocorrido, realidade) gera o medo do contato, de ser contaminada, sujeira. O casamento desencadeia o retorno do recalque, baseado na fantasia de sedução passiva ou estupro.
No caso da auto-mutilação o fato real da hospitalização é ligada a sedução passiva, fantasias sádicas e masoquistas. A mutilação somada ao mal-estar, gera a constante insatisfação, chamando a atenção para si. Mostrar as feridas e “pedir” que seja perguntado o porquê delas, desejando através do desejo do outro.
- Construa um saber sobre o complexo de Édipo e a castração (o momento lógico estruturante e constituinte do sujeito), quando se faz a passagem do “ser o falo” para o “ter o falo”.
Esta fase do complexo de Édipo ocorre até mais ou menos os 7 (sete) anos de idade. Passa-se de ser o falo da mãe para ter o falo do pai. O avanço que ocorre é deixar de ser o falo da mãe para ter o falo. No caso estamos falando do significante falo, castração e desejo. Você deixa de ser o falo da mãe, objeto usado como falo e passa a ter o falo, que é representado pelo pai, a lei.
- Construa um saber sobre a estrutura histérica, baseando-se no que foi visto comigo.
A histérica deseja o fato no outro, o suposto ter que ela não tem, o falo. Tem um ideal de perfeição, completude. Agradar ao outro é importante, faz parecer o que não é, tem uma servidão ao pai.
O histérico usa como defesas às anestesias, paralisias, contraturas e conversões somáticas. Possui uma atitude sedutora, idealiza a mulher.
Os histéricos querem ter o falo.
O afeto do histérico vai para o corpo, a idéia é recalcada, tem que falar, questionar.
- Construa um saber sobre a estrutura obsessiva, baseando-se no que foi visto comigo.
Os obsessivos querem ser o falo.
O afeto é investido no pensamento, outra idéia, quer soluções, tampar os problemas.
Ele foi amado demais pela mãe.
Sempre adia o seu desejo para frente, fazendo com que a realização do desejo seja impossível.
Não pode perder. Ao transgredir a lei do pai gera a culpa. São grandes conquistadores, esses objetos a serem conquistados são como troféus.
- Construa um saber sobre a estrutura perversa, baseando-se no que foi visto comigo.
Reconhece a castração, mas não consegue aceitá-la. Tem uma rivalidade com o pai. Sua lei é nunca ser referido ao desejo do outro, recusa a reconhecer a diferença e o desejo do outro.
Fica na dúvida de ser ou não ser o falo.
A lei é a lei do seu próprio desejo. Tomar o lugar do pai.
Os perversos, normalmente, não são responsáveis pelos atos cruéis, pois ainda tem algum conhecimento da realidade, mesmo não aceitando-a. Estes atos são normalmente feitos por psicopatas.
- Construa um saber sobre a estrutura psicótica, baseando-se no que foi visto comigo.
O psicótico rejeita completamente a incidência da castração simbólica. Seu delírio está a serviço de inventar um Outro do desejo, que possibilite um lugar de inscrição.
Seu desejo é irreal, delirante, alucinatório.
Como defesa ele rejeita a realidade e vive no seu próprio mundo.
Tem no delírio o principal norteador, característica.
